Capitão Planeta

 

Se tem um desenho bobo é o tal do Capitão Planeta. Os garotos unem o poder de seus anéis e, como um gênio da lâmpada, surge um super-homem para resolver os problemas que os garotos não conseguem. Errado. Capitão Planeta é, além de educativo, extremamente ideológico.

A premissa pode parecer idiota, com vilões que sujam por sujar - ganhando muito dinheiro com suas ações - mas é incrivelmente realista. (ou você não sabe que o dono de uma importante petrolífera comprou o primeiro projeto de carro elétrico para engavetá-lo?)

É interessante ver os conselhos dados pela turma ao final de um episódio. Ensinam que os tubarões atacam quando têm seu habitat ameaçado, (alô? Porto de Recife…) que as usinas nucleares não são um problema - o negócio é dar o desatino certo aos seus dejetos -, e que maltusianamente deveríamos constituir famílias pequenas. (não que eu seja contrário à essa linha de pensamento)

Hoje os desenhos educativos estão na moda mas, na época, CP era uma exceção. Muito me espanta um desenho que fala sobre os problemas com o desmatamento e a escassez de água, tão em voga na atualidade não tenha ganhado um remake. Claro, os mocinhos teriam que passar por uma séria reformulação - não temos mais a URSS e seria impossível ignorar a Europa - bem como, creio que o representante do Brasil não seria um índio.

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Seja como for, é um desenho que vale a pena ser revisto. Você vai se surpreender ao ver como conseguiram explicar questões tão sérias, como a divisão da África em etnias, e plantar uma semente de visão geopolítica para crianças de maneira tão lúdica e aparentemente inocente. O poder é de vocês!